RECEITA PARA O LIVRO DO JIRGES

São Paulo, 1 de março de 2009

Este blog está sendo construído como ferramenta para a edição de um livro sobre nosso amigo Jirges Ristum, a ser editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e organizado por mim. A idéia central do livro parte de uma constatação simples: todos nós sempre imaginamos o que estariam fazendo hoje pessoas com quem convivemos intensamente e que já não estão mais entre nós. O que pensariam sobre o mundo, sobre a vida, como seriam nossas conversas? O livro pretende registrar a memória do amigo que nos deixou precocemente, tecendo diálogos imaginários entre nós e o Jirges.

O Jirges não produziu uma obra sistemática. Grafômano, escreveu cartas, bilhetes, guardanapos, anotou idéias, pensamentos, insights. Afinal, este é o caráter dos arquivos pessoais que acabam por deixar relevantes vestígios de uma vida e do seu tempo.

É comum que o processo de criação misture vida e obra, mas no caso do Turco tem-se a impressão de que sua obra foi viver intensamente e fazer amigos. Muitos amigos (ver lista). Construiu-se como personagem (personagens), montou narrativas, fez de tudo para conquistar a cumplicidade das pessoas. Vivia cercado de gente que gostava dele. E também dos que não gostavam muito... Sempre tinha na ponta da língua uma frase lapidar, irônica, ferina, citava outras proferidas por algum amigo e, talvez por este gosto, escreveu tantos aforismos.

Todos nós que convivemos com o Turquinho demos muitas risadas juntos, dedicamos grande espaço do nosso tempo ao bom humor, muitas vezes à galhofa, enriquecendo progressivamente um rico anedotário (no bom e no mau sentido) que poderá dar o tom geral do livro.

Os textos e a concepção gráfica do livro serão tramados a partir do testemunho afetivo de seus amigos (transcrições integrais ou edição de partes dos textos a serem postados neste blog) e os fatos históricos que se desenrolam no período que cobre o arco da vida do Jirges (1942 – 1984). Assim será estabelecida uma espécie de pontuação cronológica dos fatos e eventos que tocaram uma geração que inventou a juventude.

Ainda quanto à forma do livro, é preciso levar em consideração que o mundo contemporâneo viveu, a partir do advento da psicanálise e das invenções surrealistas e dadaístas, o esfacelamento das formas canônicas e descortinou novas perspectivas para que se observe a História e os indivíduos. As técnicas da escritura automática e dos célebres “cadavre exquis” serão tomadas como referência para o projeto gráfico e incorporadas ao processo de produção do livro, o que deverá resultar numa espécie de de almanaque desenhado por um John Heartfield dos nossos dias.

Como o Jirges formou-se em direito, iniciou sua vida profissional como jornalista, depois estudou sociologia e, por fim, tornou-se cineasta e “bon vivant”, todos estes movimentos da sua alma serão sempre levados em conta tratar os múltiplos personagens vividos por ele, a partir dos pontos de vista de seus parentes, amigos e conhecidos.

Solicito, ainda, que o texto seja sempre acompanhado de uma fotografia do autor, bem como um breve resumo biográfico. Textos (de no mínimo uma frase e no máximo 3.000 toques, ou duas laudas), fotos e demais documentos poderão ser encaminhados e duas formas:

  1. Enviados para o e-mail: ivan.isola@gmail.com.br
  2. Postados diretamente no blog: http://blogdojirges.blogspot.com/

Ivan Negro Isola

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